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Produto mineiro inova na retenção de óleo


A cada dia cresce, em todo o mundo, o número de profissionais que se dedica ao desenvolvimento de produtos e sistemas destinados a recuperar recursos naturais degradados, em especial a água. Em Minas Gerais, um dos exemplos é o Oil Sorb – que age como uma espécie de esponja mineral, retendo óleos e graxas –, desenvolvido pelo professor PhD, Jader Martins.
O nome, que mais parece de produto importado, não foi escolhido por acaso. “Optamos por uma nomenclatura mais técnica, porque temos expectativa de exportá-lo e o prefixo sorb é internacionalmente conhecido como sinônimo de absorvente. No nosso caso, um absorvente de óleo, que também retém compostos orgânicos, permitindo seu uso na purificação de água e no tratamento de efluentes”, esclarece Martins, engenheiro químico, com doutorado pela Universidade de Leeds, na Inglaterra.
O desenvolvimento do Oil Sorb é resultado de pesquisas iniciadas há mais de 20 anos pelo professor, que “descobriu” que um mineral, a vermiculita, usada há mais de 90 anos como isolante térmico, acústico e substrato de solo, tem excelente capacidade de retenção. “A vermiculita tem uma propriedade especial, que é a possibilidade de aumentar de volume até 15 vezes, quando aquecida. Ela fica porosa, parecendo uma esponja. Antigamente, era usada como isolante em ferros elétricos. Em estado natural, parece uma folha de vidro”, explica.
Com base nessa propriedade, Martins desenvolveu nova aplicação para o mineral, que após ser aquecido e passar por um reator, adquire propriedade hidrofóbica, ou seja, cria aversão à água. “O produto é capaz de absorver até seis vezes o seu próprio peso em óleo. Além disso, quando colocado na água não molha nem afunda. Se houver óleo, se encharca apenas de óleo, e pode ser facilmente retirado. Se não flutuasse, sua eficiência poderia ser questionada, porque ele afundaria, escondendo o problema”, detalha.
Entre as vantagens do Oil Sorb, Martins destaca ainda o fato de ser uma matéria-prima barata e abundante no Brasil. “Também não é tóxico, pode ser manuseado sem equipamentos especiais e, ao contrário de produtos sintéticos, pode ser reaproveitado, por exemplo, na produção de cimento, uma vez que a vermiculita é um tipo de argila e, encharcada de óleo, representaria dois dos três componentes básicos do processo, juntando-se ao calcário.”
Desenvolvido para uso na água, o produto também pode ser aplicado em ambientes secos, como no asfalto. “Quando acontece vazamento de óleo, no asfalto ou em uma indústria, por exemplo, se as autoridades tiverem o Oil Sorb no local, podem aplicá-lo imediatamente na área atingida, evitando que o óleo se espalhe e limpando o piso, garantindo segurança e mais facilidade de limpeza”, diz.
Disponível para venda, o produto é oferecido em três formas: a granel (em pó ou granulado), em cordões (destinados a reter óleo num lago, por exemplo) e almofadas de absorção, ideais para vazamentos localizados, como em caminhões-tanque ou transformadores.

JAZIDAS
A vermiculita usada pela empresa que comercializa o produto, a Hydro Clean, com sede em Nova Lima (MG), vem de outros estados. “Em Minas Gerais, estudos indicam a ocorrência de jazidas na região de Cipotânea, na Zona da Mata. Mas atualmente, trabalhamos com o mineral vindo da Bahia, Goiás, Piauí, que têm reservas abundantes, assim como a Paraíba”, diz Martins.
Mesmo com o custo de transporte, o produto tem preço competitivo, se comparado a absorventes importados. “Os produtos estrangeiros custam até cinco vezes mais que o nosso, nacional”, comenta. A criação do Oil Sorb rendeu a Martins o Prêmio Nacional do Invento Brasileiro, em 1991, o mais importante do País, promovido pela Secretaria de Indústria e Comércio do Estado de São Paulo. “Nosso mercado potencial são as grandes empresas, como as siderúrgicas, mineradoras e refinarias, além de lava-jatos e postos de gasolina. O produto também tem aplicação doméstica, facilitando a limpeza de caixas de gordura e até de piscinas”, conclui.

Adaptado de Jornal Estado de Minas (3 de outubro de 2004)